Fricção

by D Mingus

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about

Execução, gravação, edição, mixagem e masterização por D Mingus entre dezembro/2012 e maio/2013 no Home Studio Pé-de-Cachimbo

Participações Especiais: Tiago Marditu (percussão em "Frágil Penugem nos Ares Gelados"), Graxa (voz em "Eno") e Daniel Liberalino (vozes, synths e efeitos em "Autossabotagem", "Naturalmente Punks" e "Estrela do Oriente")
Arte Gráfica: Daniel Liberalino



"Domingos Sávio é uma espécie de mago ou criatura fantástica que parece ter atravessado o tempo. Mantendo base na sonoridade firmada nos anos 1970, o cantor e compositor pernambucano traz no resgates específicos do que foi conquistado há três ou mais décadas o componente básico para abastecer as excentricidades sonoras e poéticas de Fricção (2013, Independente), terceiro e mais novo registro da carreira à frente do D MinGus. Filho pródigo do Krautrock e bastardo da psicodelia tropical que tomou conta da música brasileira no passado, o músico usa de cada uma das estranhas faixas que se espalham pelo disco como um exercício claro de experimentação.

Interessado na mesma essência nostálgica que acompanha o propósito da bandas como Cidadão Instigado e Mopho, Sávio atravessa o novo disco em um esforço constante de nítida descoberta. Completamente oposto das afinações com o Folk e o bucolismo acústico que decidiram os rumos dos trabalhos anteriores – principalmente o caseiro Canções do Quarto de Trás (2012) -, o músico e os parceiros de grupo trazem na convergência de elementos sintéticos um princípio para uma obra que vai muito além de qualquer limite prévio. Ora lisérgico, ora onírico, o álbum incorpora em cada escolha uma mutação sonora crescente, exercício que intencionalmente parece montado para confundir o ouvinte.

Não se deixe enganar, ainda que o Dream Pop essencialmente ambiental de Frágil penugem nos ares gelados, faixa de abertura do disco dê a entender que temos em mãos um trabalho de certezas, música após música o oposto dessa percepção é o que sustenta a recente obra de D MinGus. Apresentada logo em sequência, De corpo presente é um misto de Os Mutantes da fase progressiva com o romantismo brega de Odair José, um encontro que parece temperado pelas experiências tortas do Kraftwerk (ou seria Can?). Sobram ainda heranças volumosas de bandas como Neu! (Buraco no tempo-espaço) e até arranjos que esbarram em Secos e Molhados (Naturalmente punks), uma visita ao passado, sem desgrudar do presente.

Assim como a capa que acompanha o disco, Fricção é a abertura para um universo próprio. São formas instrumentais flutuantes, vozes que brincam entre o acessível e o esquizofrênico, além de uma variedade de sons que se alteram do princípio ao fim de cada nova música. Sem o compromisso em assumir qualquer esforço de linearidade, o disco faz de uma colagem imensa de ritmos e referências o princípio para abastecer a obra. Fino exemplo dessa transformação se encontra em músicas como Devoniano e Quatro ventos, afinal, enquanto a primeira brinca com a temática sintética do 8-Bit para depois se perder em um mar de arranjos voltados ao pós-rock, a segunda se permite flutuar em um misto de psicodelia e ambient music. Aproximações de natureza oposta, mas capazes de se encaixar no princípio ilógico do álbum.

No que tange a poesia incorporada por Sávio, o princípio talvez seja ainda mais torto e naturalmente inventivo do que as próprias melodias. São manifestações cotidianas, como àquelas expressas em De corpo presente e Vendo um meteoro passar, ou mesmo canções que se esparramam em referências próprias, matéria incorporada na formação da música de encerramento, O fantasma do underground. Entretanto, é na criação da biográfica Eno que o álbum se mostra curioso. Espécie de homenagem ao músico e produtor Brian Eno, a faixa se sustenta por quase três minutos reforçando a obra prévia do artista britânico, tudo isso enquanto um jogo de sons se relacionam diretamente com a sonoridade abordada durante toda a carreira do compositor.

Provavelmente o maior esforço no decorrer da obra não seja o de D MinGus ao brincar com as experimentações sonoras em um caráter desmedido, mas para o próprio ouvinte, em tentar se manter em pé a cada terreno tortuoso que o disco pavimenta. Fazendo valer o próprio título, Fricção se manifesta como um choque constante, um espaço instável entre ideias que se esbarram, absorvem e provocam o espectador. Divergência e convergência de ideias capazes de dançar em um composto sonoro de plena nostlagia e ainda assim, atenção com o presente."


Por: Cleber Facchi (site: Miojo Indie)

credits

released May 3, 2015

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D Mingus Recife, Brazil

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Track Name: Frágil penugem nos ares gelados
FRÁGIL PENUGEM NOS ARES GELADOS

Renascendo das cinzas
Brasa-coração
Parto do salto
Anunciação
De um profeta do ácido
Frágil penugem nos ares gelados

Vigília no sonho
Estação da fluidez
Montanha de gelo
No sertão se fez
Crianças esquiam
Derretem maçãs
Rinocerontes passeiam calados

Emoção química
Do lobo frontal
Jorrando formas
Em curvas cerebrais
Track Name: De corpo presente
DE CORPO PRESENTE

Não lembro em que página parei
Nem tampouco onde o livro deixei
Mas qual era mesmo o nome
daquela iguaria que me deu fome ?

Perco o senso do tempo
Nas coisas da casa imerjo
Mas qual era mesmo o número do seu telefone ?
Vê se não some

Já não sei que horas são
Mas tenho todo tempo nas mãos

Esqueço pra lembrar
De corpo presente
Sentimentos há muito ausentes
Track Name: Estroboscópica
ESTROBOSCÓPICA

Deuses em 8 bits
- it's playtime !
Batidas a 120 BPM
- it's partytime !

Passando de fase
passando de faixa
a mix perfeita

Em Recife começam os 90's
- it's playtime !
Techno Pop e música lenta
- it's partytime !

Estou alterado
com todas essas luzes no salão
percutindo o brilho do som
A mix perfeita
gravei pra ti numa fita
- Você vai à festa da Rita ?
Track Name: Vendo um meteoro passar
VENDO UM METEORO PASSAR

Perdi tanto tempo a olhar
você dançando com outro par

Saí da festa, fui sentar,
olhando um meteoro passar
- mal de timidez

Não te chamaria pra dançar
- você brilha, "super(e)st(á)r"
a fim do céu
Track Name: Naturalmente punks
NATURALMENTE PUNKS

Você tem um quê de Frida Khalo
E outros arquétipos tão caros
Naturalmente punks

Te chamei pra conhecer
O meu lar de pequeno burguês
Ristes com o tédio
Deste coração velho

Você tem um quê de Rita Lee
E outros arquétipos tão free
Naturalmente punks

Estranhando mas gozando
Rebelando mas soltando
Um pouco mais da linha
Da pipa que é sua vida
Track Name: Autossabotagem
AUTOSSABOTAGEM

Fazer o bem pra si mesmo
Costuma ser complicado
Com tanta gente pedindo atenção

Ser cobrado, avaliado
Pago no final do mês.
Já não sei dirigir-me a você,
sem usar “prezado freguês”

Auto-sabotador nato
Com a culpa sacramentado
O desprazer como fundamental

Para manter o controle
do instintos mais “carnais”
Carnavais só com cinzas
Sempre se auto-destruindo
Track Name: Devoniano
DEVONIANO

Vem se despir ao sol
Vento morno do arrebol
Nos aventurar
Ao entardecer
Pelo mangue andar
Nos fundir

Tempo enferruja o anzol
Dobras de um caracol
Uma espiral
A desenrolar
Lanças ao mar
Finas redes

Vê teus deuses pagãos
Quanto são afirmação
Uma ponte ao cais
Ao entardecer
Pelo mangue andar
Nos fundir
Track Name: Quatro ventos
QUATRO VENTOS

Bóreas é violento
Aonde chega causa tormento
Zéfiro, ao contrário
Com ele tudo é calmo

Noto é desastrado
Derrama chuva do vaso
Já Euro, é generoso
Bom tempo para todos

São eles os quatro ventos
Que a Éolos escutam
Track Name: Trêmulo
TRÊMULO

Treme o pé
Treme a terra e o pasto
Treme o olho da fé
Desestabilizado
Treme a canção
Treme a voz e o vento
Treme a boca e as mãos
Aonde buscam alento

Revirando o nosso ventre
O medo de perder
Aquilo que nunca tivemos
- Volta ao caos
Track Name: Estrela do Oriente
ESTRELA DO ORIENTE

Fechar o canal
da escuta oprimida
Limpar a mente
do som da serpente
de aço, comprida
rastejando pelo ambiente

Ouvir o silêncio
dentro da cabeça
Colocar o corpo
em pé de conforto
Alinhar a mente
com a estrela do Oriente
Track Name: Eno
ENO

Põe pra tocar esse disco de Brian Eno
ele deixa o ambiente tão zen
cheio de possibilidades estéticas

Antes de produzir o U2
imagina tu
que o bicho pintou e bordou
Roxy Music é tão bom,
mas eu prefiro

Eno, Eno
Fripp, Bowie, Byrne, Cluster
Eno, Eno
Nico, Cale, Devo, Can
Eno, Eno
Você é meu anti-hino,
Eno
Track Name: O fantasma do underground
O FANTASMA DO UNDERGROUND

Um outro eu
Vaga por aí
Subterrâneo,
num túnel sem fim

Ele é um fantasma
Do underground
Vive além do bem e do mal